Leituras – Bernard Cornwell

Publicação: 31 de maio de 2012

Existem livros que eu enrolo pra ler. A trilogia arturiana de Bernard Cornwell foi um desses casos.

Em primeiro lugar, assumo meu preconceito com qualquer coisa que se proponha a ser “a verdadeira história do rei Artur”. Isso é uma babaquice e como o próprio Cornwell diz no livro, uma tremenda mentira. Não existe uma verdadeira história. Mas sabe como é propaganda, notícia de jornal e fofoca: nunca falam as coisas do jeito que são, mas na versão mais distorcida para poder chamar atenção. O autor em nenhum momento diz que aquela história é mais real.

O que ele faz é construir uma boa, aliás, uma ótima ficção histórica, a partir de elementos verossímeis. A trilogia esbanja um detalhismo que faz o leitor mergulhar e que contextualiza a história de uma forma genial.

Acho que é leitura obrigatória não só para quem gosta de ficção histórica e fantasia, mas também para quem escreve perceber como se faz um trabalho bem feito.

Verossimilhança é um troço muito bom. Fazer a sua mentira parecer o mais verdadeira possível. E tomar decisões sobre a escrita. Não basta o fluir natural, é preciso lapidar. No final de cada volume tem um texto do autor falando da confecção da escrita, das escolhas que ele fez  e acho que para quem escreve esse material é maravilhoso.

O ponto alto para mim fica nas descrições de batalhas em primeira pessoa, dando a visão da frente de combate. Além de conhecer mais sobre o jeito de se fazer guerra na época, a opção de mostrar o combate homem a homem, não pela movimentação vista de larga escala, mas o que um indivíduo enxerga (e como o nosso protagonista, Derfel Cadarn fala, isso pode ser pouco maisque a borda do escudo do soldado que se bate com você) dá personalidade para uma mitologia que já conhecemos de tantas formas.

Minha única crítica é que ele corre um tanto no fim da história. Essa “perdida de passo” é bem comum, aliás. Embora ele invente uma justificativa plausível, a angústia de fim da leitura fica maior quando o livro corre na direção do fim. Podia ter caprichado mais no último capítulo do terceiro livro.

Merece toda recomendação e mais alguma. Agora até me inspirei para escrever um conto arturiano. (Estão sabendo da chamada para coletânea arturiana da Editora Draco?)

 

Trilogia As Crônicas de Artur (O Rei do Inverno, O Inimigo de Deus, Excalibur), autoria de Bernard Cornwell, publicação no Brasil pela Editora Record.


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