Time Out – Os viajantes do tempo

Publicação: 4 de junho de 2012

Eu preciso começar minhas considerações falando um pouco sobre dois fatos. O primeiro é que eu sou uma apaixonada por Ficção Científica.  É uma leitura que mexe comigo, me coloca para pensar. A segunda coisa é que dentro do universo da ficção científica, o que eu menos gosto é viagem no tempo. Não curto, me incomoda porque de todas as utopias a ideia de viagem no tempo é a mais distópica: é sempre angustiante e desesperada.

Foi com essa perspectiva que me sentei com o Time Out – Os Viajantes do tempo que ganhei em um sorteio da editora Estronho.

Não dá para falar do livro sem falar – outra vez – do projeto gráfico dele. É simplesmente demais. Mostra como é possível fazer um produto com uma qualidade imensa mesmo sem ser uma editora multimilionária e sem enfiar a faca no preço do livro.

A forma como a gente lê é afetada pelo visual do livro, sempre. Um livro mal formatado, com um projeto visual ruim, faz a gente perder o foco e atrapalha a leitura. Um projeto visual bom nos coloca no clima do livo, nos ajuda a mergulhar ali e deixar de fora os ruídos de comunicação, percebendo mais detalhes.

Time Out entrou na minha galeria de “como um livro deve ser”. Nunca vi, em livros de editoras “pequenas”, uma antologia ainda, um cuidado estético que casava tão bem com os textos. Para ser sincera, vi muito poucos livros com um projeto visual tão bem resolvido – mesmo as majors raramente tem um projeto que vá além da capa.

Sobre os textos, eu já cheguei com o pé atrás. Desde os tempos da falecida e saudosa Isaac Azimov Magazine brasileira, eu já tinha uma desconfiança louca de tudo que envolva Viagem no Tempo. Levei uns bons anos para ter coragem de assistir Doctor Who, até.

Mas o livro me pegou de jeito já no começo, e acabei lendo tudo muito rápido. Cada autor tem uma voz diferente, mas a organização conseguiu criar um eixo que costurou bem essas vozes em um coral afinado. Cada texto tem vida, mesmo sendo um tema já muito trabalhado, não se perdem em estereótipos, desenvolvem com clareza suas viagens particulares e conseguem se bastar como obra, sem ficar perdidos. Todos foram bem trabalhados e nenhum passa aquela sensação de que o conto não foi suficientemente cuidado.  E existe sensibilidade, os contos são muito humanos. Não gosto de escrever sobre conto por conto. Prefiro passar a opinião geral, porque o gosto pessoal de cada um acaba fazendo preferir um conto ou outro.

Eu recomendo para qualquer leitor de ficção científica a leitura de Time Out: Os viajantes do tempo. Inclusive para aqueles que como eu não tem muito amor por viagens temporais. Vai ser uma agradável surpresa.

 

Time Out – os viajantes do tempo

Coletânea

Editora Estronho

 

 

 


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